A 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas decidiu suspender por dois anos o processo criminal que envolve o empresário e ex-secretário municipal de Turismo, Arison Siqueira. A ação apura supostos crimes de perseguição relacionados a ataques e conteúdos publicados nas redes sociais.
A suspensão ocorreu após um acordo proposto pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e aceito pela Justiça. Durante os próximos dois anos, o processo permanecerá suspenso, conforme as condições estabelecidas no acordo. Caso elas sejam cumpridas, a ação deverá ser arquivada definitivamente ao final do período.
A medida não representa condenação nem reconhecimento de culpa por parte de Arison. Também não houve julgamento dos fatos que deram origem à ação.
Clique aqui e acesse o grupo de notícias da Onda Poços no WhatsApp 📲
Entenda o caso
O caso começou a ganhar repercussão em 2025, quando Arison ainda ocupava o cargo de secretário municipal de Turismo. Naquele período, denúncias apontaram a existência de um perfil falso nas redes sociais que publicava ataques contra autoridades e profissionais da imprensa de Poços de Caldas.
Em outubro de 2025, Arison pediu exoneração do cargo. A Prefeitura informou oficialmente que a saída ocorreu por razões pessoais.
Posteriormente, as investigações avançaram e, em abril de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia à 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas. Segundo informações divulgadas sobre a denúncia, o MPMG apontou suposta prática de perseguição digital, também conhecida como cyberstalking, contra o jornalista Rodrigo Costa e a vereadora Meiriele Maximino.
De acordo com a acusação, as ações teriam ocorrido por meio de perfis anônimos em redes sociais, com publicação reiterada de conteúdos considerados ofensivos e difamatórios. As informações sobre o processo também apontam que os episódios teriam começado em maio de 2025, inicialmente envolvendo o jornalista Rodrigo Costa.
Na época em que deixou a Secretaria de Turismo, Arison também se manifestou publicamente sobre o episódio. Ele afirmou ter criado o perfil para expressar opiniões políticas e reconheceu que acabou perdendo o controle das publicações e ofendendo pessoas.
Agora, com a decisão de setembro, o processo entra em um período de suspensão de dois anos. O cumprimento das condições previstas no acordo será determinante para o desfecho da ação. Se elas forem cumpridas, o processo será arquivado definitivamente.
Ao jornalismo da Onda Poços, o jornalista Rodrigo Costa, uma das vítimas mencionadas no processo, afirmou ter recebido a decisão com indignação. Segundo ele, embora respeite as instituições e o Poder Judiciário, a suspensão do processo sem previsão de reparação às vítimas é difícil de compreender.
Costa destacou que as vítimas não foram contempladas nas condições estabelecidas no acordo. De acordo com o jornalista, foi determinado o pagamento de um salário mínimo, mas nenhum valor teria sido destinado diretamente à reparação dos danos alegados pelas vítimas.
Na avaliação de Costa, a medida também gera preocupação diante da capacidade econômica do acusado. Para ele, consequências que considera reduzidas podem transmitir a sensação de que a prática de um ilícito teria poucas repercussões para pessoas com melhores condições financeiras.
O jornalista ressaltou, ainda, que a questão não se limita à compensação financeira, mas envolve o reconhecimento dos danos e das consequências que os fatos teriam causado às vítimas.
Ainda segundo Costa, seus advogados já analisam juridicamente a decisão e devem adotar as medidas cabíveis para que a questão da reparação seja analisada no processo. Ele afirmou que continua confiando na Justiça, mas disse estar indignado com o resultado apresentado até o momento.
A vereadora foi procurada pela Onda Poços, mas até o fechamento desta reportagem não havia se manifestado sobre a decisão. A notícia será atualizada assim que a parlamentar se manifestar.







