Poços de Caldas esteve entre os principais destaques do primeiro episódio da nova série de reportagens do Jornal Nacional sobre temas considerados estratégicos para a agenda ambiental e o desenvolvimento tecnológico do Brasil. Exibida na noite desta segunda-feira (27), a reportagem do jornalista André Trigueiro abordou a exploração das chamadas terras raras, minerais essenciais para a fabricação de tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores e equipamentos de defesa.
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A reportagem explica de forma didática o que são as terras raras, qual a importância desses elementos para a indústria mundial e como está distribuída sua exploração ao redor do planeta. Atualmente, a China lidera a produção e o processamento desses minerais, enquanto o Brasil aparece em segundo lugar entre os países com as maiores reservas conhecidas.
Segundo a reportagem, uma das jazidas mais promissoras do país está localizada na região de Poços de Caldas, em uma antiga cratera de vulcões extintos. Outro município citado é Caldas, onde também estão em andamento estudos relacionados ao potencial mineral da região.
Durante a reportagem, moradores de Poços de Caldas manifestaram preocupações sobre os possíveis impactos da mineração. Também foi ouvido o diretor-executivo da Viridis, empresa que pretende explorar terras raras na região, que apresentou as medidas previstas para o desenvolvimento do projeto e os cuidados ambientais adotados.
A equipe do Jornal Nacional também mostrarou áreas de Caldas onde são realizados testes para identificar os pontos com maior concentração dos minerais. Um dos aspectos destacados é que, no Sul de Minas, as terras raras estão presentes na argila, característica que pode tornar a extração mais simples e menos onerosa do que em regiões onde os minerais estão concentrados em rochas, como ocorre em boa parte das jazidas chinesas.
A reportagem ainda ouviu especialistas sobre os possíveis impactos da atividade mineral. Um físico caldense entrevistado alertou para as transformações que projetos dessa dimensão podem provocar na região, ressaltando a necessidade de planejamento e de rigor no processo de licenciamento ambiental.
De acordo com as empresas responsáveis pelos projetos em Poços de Caldas e Caldas, a expectativa é obter as licenças ambientais necessárias até o fim de 2028, permitindo o início da exploração comercial.
Além de apresentar o potencial econômico das reservas brasileiras, o Jornal Nacional propôs uma reflexão sobre o papel do país na cadeia global das terras raras. A reportagem questiona se o Brasil permanecerá apenas como fornecedor da matéria-prima ou se conseguirá agregar valor à produção, fabricando produtos de alta tecnologia, como os superímãs utilizados em veículos elétricos e geradores de energia. “Será esse o nosso destino? Retirar terras raras para que outros países enriqueçam produzindo super ímãs?” questiona o repórter.
Na sequência, o material mostrou todas as etapas da cadeia produtiva, desde a extração dos minerais até a fabricação dos componentes industriais, e destacou que disputar espaço com a China nesse mercado exigirá investimentos elevados, tecnologia e tempo. Como resume o André Trigueiro ao final da reportagem: “A conquista da autonomia custa caro e leva tempo.”






