A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a cobrar dos países a conclusão de um tratado internacional para prevenção e enfrentamento de futuras pandemias. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta segunda-feira (2) que surtos recentes de doenças, como o ebola na República Democrática do Congo, reforçam a necessidade de cooperação entre as nações.
O alerta ocorreu na abertura da nona reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental da OMS, em Genebra, na Suíça. Os encontros seguem até 13 de novembro e têm como objetivo avançar nas negociações para concluir os pontos que ainda faltam no acordo internacional.
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O tratado foi aprovado pelos países-membros da OMS em maio de 2025, mas ainda depende da definição de um anexo sobre o Sistema de Acesso a Patógenos e Compartilhamento de Benefícios (PABS). Esse mecanismo deverá estabelecer regras para o compartilhamento de amostras de agentes infecciosos com potencial pandêmico e a distribuição dos benefícios obtidos a partir dessas pesquisas, como vacinas, testes e tratamentos.
A discussão envolve divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre a aplicação das regras e a divisão dos recursos. Sem a conclusão desse anexo, o acordo não poderá entrar em vigor.
Tedros destacou que a pandemia de covid-19 deixou lições sobre a necessidade de uma resposta conjunta. Durante a crise sanitária, vacinas foram desenvolvidas em tempo recorde, mas muitos países tiveram de esperar pelo acesso aos imunizantes, enquanto outras nações conseguiram garantir estoques superiores às suas necessidades.
Para a OMS, essa desigualdade prolongou a pandemia, custou vidas e aumentou o risco de surgimento de novas variantes.
O diretor-geral também citou o surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro, em abril, que provocou três mortes, e a epidemia de ebola na República Democrática do Congo como exemplos de ameaças que podem ultrapassar fronteiras.
A conclusão do tratado busca estabelecer mecanismos de cooperação para que os países compartilhem informações, recursos e tecnologias de saúde em futuras emergências sanitárias, com acesso mais equilibrado a vacinas, medicamentos e diagnósticos.






