Empresa é condenada a pagar R$ 20 mil a funcionário por assédio moral e instalação de câmeras em vestiário

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A Justiça do Trabalho manteve a condenação da Pandurata Alimentos, dona das marcas Bauducco, Visconti e Tommy ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais a um funcionário que denunciou a instalação de câmeras em vestiários e episódios de assédio moral no ambiente de trabalho. A decisão não cabe mais recurso e o processo está em fase de execução.

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A decisão da Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) manteve integralmente a sentença da 1ª Vara do Trabalho de Pouso Alegre que foi recorrida tanto pela empresa quanto pelo trabalhador. A defesa pediu a exclusão ou redução da indenização, enquanto o funcionário solicitou aumento do valor. Os dois pedidos foram negados.

Segundo o relator do caso, juiz convocado Paulo Emílio Vilhena da Silva, ficou comprovada a existência de câmeras de vigilância funcionando dentro dos vestiários, inclusive em áreas utilizadas para troca de roupas dos funcionários. Para o magistrado, a prática viola os direitos à intimidade e à privacidade garantidos pela Constituição Federal.

A empresa alegou que os equipamentos estavam instalados apenas nas áreas dos armários, com objetivo de proteção patrimonial, e não dentro dos banheiros. No entanto, conforme o TRT-MG, testemunhas confirmaram a presença das câmeras nos vestiários, o que foi considerado afronta à privacidade dos empregados.

A decisão também manteve o reconhecimento do assédio moral no ambiente de trabalho. Segundo o processo, testemunhas relataram cobranças excessivas, ameaças de demissão e xingamentos praticados por um superior hierárquico. Para o tribunal, os depoimentos comprovaram a prática repetitiva de violência psicológica contra o trabalhador.

Ao manter a indenização em R$ 20 mil, os desembargadores consideraram a gravidade das condutas, a extensão do dano causado, a capacidade econômica das partes e o caráter pedagógico da condenação.

Por meio de nota, a Pandurata afirmou que o processo trabalhista em questão se encontra encerrado e os valores devidos, devidamente quitados.

Disse ainda que respeita as decisões judiciais e não comenta detalhes de processos e que reafirma seu compromisso com a construção de um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e pautado pela dignidade de todos os seus colaboradores.

“A empresa não compactua com condutas incompatíveis com esses valores e adota políticas internas, mecanismos de integridade e canais específicos para o recebimento e apuração de relatos”, afirma na nota.

Fonte: G1 Sul de Minas

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