A Justiça de Poços de Caldas estuda a possibilidade de um acordo com o Mercado Livre que pode permitir a devolução de celulares apreendidos a compradores que adquiriram os aparelhos de boa-fé. A tratativa surgiu durante audiência judicial relacionada à operação que investiga o desvio de mais de 500 celulares da empresa por um funcionário.
Segundo informações repassadas à imprensa, a Polícia Civil já concluiu sua parte na investigação: apreendeu os aparelhos localizados e devolveu ao Mercado Livre os mais de cem celulares recuperados inicialmente. Novos aparelhos continuam chegando à delegacia, muitos provenientes de outras cidades e estados, sendo recolhidos conforme avançam as diligências. A empresa comparecia mensalmente para buscar os itens recuperados.
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Durante a audiência, representantes do Mercado Livre informaram ao juiz que os celulares apreendidos seriam descartados, pois não teriam utilidade comercial para a empresa. Diante disso, o magistrado passou a avaliar uma alternativa: a possibilidade de que os aparelhos fossem doados aos compradores que os adquiriram sem saber da origem ilícita. A negociação, no entanto, é estritamente conduzida entre a empresa e a Justiça, sem participação da Polícia Civil. Uma nova reunião deverá ser marcada no próximo ano, após o retorno do juiz das férias, para definir se a solução será viável.
A operação
A discussão ocorre no contexto da operação “Banquete de Hermes”, deflagrada na segunda-feira (14), quando um homem de 40 anos foi preso por furto qualificado e lavagem de dinheiro. Ele ocupava um cargo de confiança no Mercado Livre, em Poços de Caldas, e, segundo a investigação, desviou mais de 500 aparelhos celulares, revendendo-os na região. O prejuízo estimado supera R$ 5 milhões. O investigado está preso e à disposição da Justiça.
A próxima etapa, denominada “Tá Entregue”, busca recuperar os aparelhos vendidos irregularmente. A maioria dos compradores teria adquirido os celulares pela internet ou em comércios locais sem saber da irregularidade.
Quem for identificado será intimado a levar o aparelho à delegacia. Caso faça a devolução espontaneamente após a intimação, não responderá criminalmente. Entretanto, compradores que tiverem aparelhos apreendidos mediante mandado de busca — ou que descumprirem a ordem de devolução — poderão responder por receptação.
Enquanto isso, permanece em debate se os celulares, após recuperados, poderão ser devolvidos definitivamente aos compradores de boa-fé, caso o acordo entre Justiça e Mercado Livre avance.







