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Poços de Caldas celebra mais um importante reconhecimento no cenário cultural brasileiro. A equipe formada pelos artistas Débora Romano, João Ferreira, Gabriela Acerbi e Pedro Delboni foi aprovada em primeiro lugar na categoria Sudeste do Programa Funarte de Difusão Nacional – Circuito Marco Antonio Vilaça de Artes Visuais, com a proposta de circulação da exposição Correspondências.

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A seleção integra um edital nacional voltado à realização de circuitos artísticos com itinerância de exposições e ações de intercâmbio em diferentes territórios do país, promovendo a troca de conhecimentos, práticas e experiências entre artistas, grupos e instituições. Com a aprovação, a exposição criada a partir de pesquisa e produção artística em Poços de Caldas será levada para o estado da Bahia, em um circuito que contempla também ações formativas, mediação cultural e cobertura audiovisual.

A proposta aprovada prevê a circulação da mostra entre Poços de Caldas (MG), Salvador (BA) e Cachoeira (BA), fortalecendo o intercâmbio entre territórios e ampliando o acesso às artes visuais produzidas em contextos comunitários. A iniciativa valoriza o diálogo entre memórias afro-brasileiras, práticas curatoriais e processos de criação que partem da releitura de acervos institucionais para refletir sobre questões raciais, memória e presença da população negra nos arquivos históricos.

A exposição Correspondências foi lançada em 1º de maio de 2026, no espaço da Associação Afro Ancestral de Poços de Caldas, por meio do Edital 06/2024 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Produção de Obras, reunindo artistas, equipe técnica e a comunidade do Terreiro do Caboclo Pedra Branca.

O trabalho é resultado de uma pesquisa desenvolvida desde 2022 nos acervos fotográficos e documentais do Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas, a partir da busca por imagens produzidas entre 1900 e 1964 que retratassem a população negra do município em cenas cotidianas relacionadas à formação da cidade.

Com base nessas imagens, a exposição propõe uma releitura crítica e sensível por meio de novas fotografias, cartas narrativas e correspondências simbólicas com homens, mulheres e crianças negras retratados nos arquivos. A proposta tensiona ausências históricas, revisita formas de arquivamento das vidas negras e ressignifica memórias muitas vezes invisibilizadas, trazendo para o presente debates sobre pertencimento, dignidade, ancestralidade e direito à memória.

A ambientação sonora da mostra, assinada por Pedro Delboni, foi construída a partir de relatos colhidos em parceria com Mãe Ana de Iansã, liderança do Terreiro do Caboclo Pedra Branca, e amplia a experiência expositiva ao conectar espiritualidade, ancestralidade e território.

A conquista da equipe representa um marco para a produção artística de Poços de Caldas e reforça a potência criativa de projetos desenvolvidos a partir de pesquisa, memória e valorização das identidades afro-brasileiras. Também projeta o nome do município no circuito nacional das artes visuais, destacando a relevância de iniciativas culturais comprometidas com a preservação da história, a formação de redes e a democratização do acesso à arte.

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