O trabalho de monitoramento do índice de perdas dentro do sistema de abastecimento do Departamento Municipal de Água e Esgoto-DMAE Poços de Caldas é constante dentro da autarquia. Os números são variáveis e têm relação com a pressão com que a água chega na casa das pessoas e com vazamentos e rompimentos, muitos deles provocados por empreiteiras nas adutoras ao longo de rodovias, por exemplo.
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“O desafio do controle das perdas de água tratada na verdade é nacional. Dentro do DMAE, já trabalhamos com índices de 27% de perdas, o que é considerado excelente. Hoje, estamos na faixa de 35%, um número que não é o ideal mas que está na média do Brasil. Podemos observar que em regiões como norte e nordeste os índices podem chegar a até 80% de perdas. O trabalho é constante e desafiador, e estamos focados , com nossas equipes técnicas, para que possamos retomar os índices mais baixos”, informa o diretor do DMAE, Paulo César Silva.
Para tanto, o departamento já tem instituído, desde 2014, um Comitê Interno de Combate às Perdas de Água, que realiza monitoramento constante dos índices e propõe melhorias para a questão, a partir dos números que são analisados trimestralmente.
Uma tecnologia já aplicada pelo DMAE Poços de Caldas foi a instalação de VRPs no sistema de diversos bairros da cidade, caracterizada pelo terreno em declive. A tecnologia usa válvulas para o controle da pressão que a água chega nas residências.
Essa variável da pressão da água muda conforme o período do dia. Quando o consumo é maior, a pressão segue alta. Quando o consumo é menor, no período da noite, é feita, via telemetria, pelo Centro de Controle e Operações, a diminuição da pressão da água. Com isso, existe um índice menor de rompimento de redes por conta da alta pressão, contribuindo para uma menor perda de água, tratada.
Essa experiência de Poços foi levada ao 54º Congresso Nacional de Saneamento, como trabalho técnico apresentado pelo servidor Fábio Aparecido Albino, com o título “Redução de Perdas Físicas por controle de pressões Piezométricas com VRPs em redes com grande amplitude altimétrica”. O tema também foi abordado em muitas outras ocasiões dentro do congresso, por se tratar de fator essencial dentro do sistema de produção de água no país.
Além da pressão, existem outras variantes, como clima e ocorrências de quebras de adutoras por empresas particulares, entre outros. Em uma delas, houve o desperdício de 2 milhões de litros de água, o que impactou consideravelmente o índice de perdas no período avaliado. Outras questões afetas ao índice de perdas, seriam relacionadas aos usos sem permissão, como as ligações de água clandestinas e os vazamentos dentro do sistema. De acordo com o Instituto Trata Brasil, 39,5 % da água produzida no Brasil é perdida, sendo que 15 dos cem maiores municípios brasileiros perdem mais de 50% de toda água tratada que produzem.






