Com foco em temas como autocuidado, saúde mental e maternagem, as integrantes do Parlamento Mulher 2026 concluíram uma série de três oficinas voltadas à Saúde da Mulher. A iniciativa, que ocorreu após a conclusão da etapa de formação política, teve como objetivo enriquecer os debates e fundamentar a elaboração das propostas que serão apresentadas ao final dos trabalhos.
A primeira oficina, no dia 09 de setembro, foi conduzida pela enfermeira Elaine Cristina Faria, docente da PUC Minas Poços de Caldas e doutora em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A formação discutiu o autocuidado como parte do direito à saúde e abordou a forma como, historicamente, as mulheres acumulam responsabilidades relacionadas à família, à casa, ao trabalho e ao cuidado de outras pessoas. A proposta também foi apresentar informações sobre saúde preventiva, acesso aos serviços do SUS, prevenção e diagnóstico de cânceres que atingem as mulheres e cuidados durante a transição menopausal.
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O encontro provocou uma reflexão sobre o espaço que as mulheres reservam para o próprio cuidado. “A minha fala é na intenção de fazer uma provocação mesmo: até onde a gente se cuida? A mulher tem que cuidar do marido, do filho, da casa, do trabalho. Então, é fazer com que elas pensem um pouquinho a respeito disso: quando eu tenho que falar não, quando eu tenho que repensar, quando eu tenho que me colocar em primeiro lugar e o quanto eu tenho que cuidar da minha saúde”, afirmou.
A partir desse momento, a enfermeira também destacou a importância de conhecer os direitos e os serviços de saúde que já estão disponíveis para as mulheres. Segundo ela, o conhecimento dessas informações pode contribuir para que as participantes identifiquem necessidades e, posteriormente, formulem propostas de políticas públicas.
No dia 14 de setembro, a formação sobre saúde mental e a atuação da mulher contemporânea foi ministrada por Regiane de Souza Quinteiro, docente do curso de Psicologia da PUC Minas Poços de Caldas, doutora pós-graduada em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestra em Processos Comportamentais pela Universidade de Brasília (UnB). O encontro discutiu o conceito de saúde mental, os diferentes papéis sociais atribuídos às mulheres e os impactos da sobrecarga de responsabilidades relacionadas à família, à casa e ao trabalho. A oficina também abordou a violência contra a mulher e a importância do conhecimento sobre direitos e políticas públicas.
Para Regiane, espaços de formação como o Parlamento Mulher contribuem para aproximar as participantes do Legislativo e ampliar a compreensão sobre a relação entre políticas públicas e a vida cotidiana. “É muito importante esse espaço de abertura para as mulheres, primeiro para elas se colocarem no Legislativo e entenderem como a política interfere e influencia na vida das mulheres. A discussão de saúde mental é imprescindível, visto que a mulher assume vários papéis na sua vida, entre eles o de profissional, mãe e trabalhadora”, ressaltou.
A psicóloga destacou ainda que conhecer as políticas públicas é parte importante da participação cidadã. “Ela precisa estar por dentro das políticas públicas, na sua defesa, para exercer os seus direitos e para ficar em constante diálogo com a sociedade”, completou.
O terceiro encontro, no último dia 21, teve como tema o processo de maternagem e foi conduzido pela biomédica Isabela Bacelar de Assis, coordenadora do curso de Biomedicina da PUC Minas Poços de Caldas e mestra em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A oficina abordou os desafios relacionados à maternagem e a necessidade de ampliar a responsabilidade pelo cuidado com a gestação, o bebê e a família, evitando que essas atribuições sejam consideradas exclusivamente femininas.
Isabela contou que sua experiência na atenção primária à saúde contribuiu para a abordagem do tema, especialmente a partir do trabalho de divulgação do pré-natal do parceiro e da parceria. “A gente veio conversar principalmente sobre os grandes desafios da maternagem hoje no Brasil. Trabalhei durante dois anos nessa temática na atenção primária para favorecer a qualidade de vida do feto, do bebê e da família como um todo”, explicou.
Segundo a biomédica, a discussão também busca ampliar a compreensão sobre diferentes configurações familiares e sobre a divisão das responsabilidades relacionadas à maternagem. “A importância que eu trago nessa temática, para contribuir com Poços de Caldas e com toda a população do Parlamento Mulher, é justamente favorecer que a maternagem não seja uma função exclusiva da mulher”, afirmou.
A participante Celi Ribeiro de Campos, enfermeira obstetra com atuação na área materno-infantil e na saúde da mulher, destacou a importância da discussão sobre saúde mental. Para ela, a formação também contribui para que as próprias mulheres reconheçam a necessidade de olhar para suas demandas. “Muitas vezes a gente está tão preocupada com os outros, porque tem que cuidar dos filhos, cuidar do marido, cuidar de outras pessoas, e esquece da nossa saúde mental. Nós também cansamos, nós também ficamos estressadas”, enfatizou.
Celi avaliou que esse processo de mudança ainda precisa ser trabalhado socialmente. “Isso é uma coisa que a gente precisa trabalhar ainda, porque não estamos acostumadas a cuidar de nós mesmas”, completou.
O Parlamento Mulher busca promover a educação cidadã e ampliar a representatividade feminina na política. Voltado a mulheres com 18 anos ou mais, o programa tem como tema, nesta edição, “Os diferentes olhares para a Saúde da Mulher”. Ao longo das atividades, as participantes aprofundam conhecimentos sobre o papel do Legislativo, a elaboração de leis e o funcionamento da Câmara Municipal, além de elaborarem propostas que serão encaminhadas à Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
As atividades do Parlamento Mulher 2026 continuam nas próximas semanas, com oficinas preparatórias para a Plenária e uma oficina de letramento racial. Os encontros têm transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Municipal de Poços de Caldas no YouTube e permanecem disponíveis para acesso.








