Minas Gerais chega às eleições de 2026 com 637.785 eleitores registrados como analfabetos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número corresponde a 3,89% dos cerca de 16,3 milhões de eleitores mineiros.
Em números absolutos, Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de eleitores nessa condição, à frente da Bahia e de São Paulo. O levantamento foi realizado pela equipe de dados de O TEMPO com base nas informações do cadastro eleitoral.
A participação de Minas entre os eleitores analfabetos é maior do que o peso do estado no eleitorado nacional. Enquanto os mineiros representam 10,3% de todas as pessoas aptas a votar no país, o estado concentra 11,6% dos eleitores registrados no TSE como analfabetos.
No Sudeste, a diferença é ainda mais expressiva. Minas Gerais representa 24,7% do eleitorado da região, mas concentra 41,3% dos eleitores analfabetos.
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Informação chega por outros caminhos
Sem conseguir ler propostas, notícias ou materiais escritos de campanha, esses eleitores recorrem a outras formas de acesso à informação. Televisão, vídeos e áudios enviados pelo celular, além de conversas com familiares, amigos e pessoas de confiança, estão entre os principais meios utilizados.
Notícias regionais
No momento da votação, números, rostos dos candidatos e a memória também podem ajudar o eleitor a identificar quem deseja escolher.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerada analfabeta a pessoa que declara não saber ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhece. Também se enquadram nessa definição pessoas que aprenderam a ler e escrever, mas esqueceram, ou que conseguem apenas assinar o próprio nome.
Os 637.785 eleitores citados no levantamento, porém, correspondem especificamente às pessoas que aparecem no cadastro do TSE com o grau de instrução classificado como “analfabeto”.
Voto é facultativo
A Constituição Federal estabelece que o alistamento eleitoral e o voto são facultativos para pessoas analfabetas. A mesma regra se aplica aos jovens de 16 e 17 anos e aos eleitores com mais de 70 anos.
Apesar de a participação ser facultativa, os eleitores analfabetos que possuem título eleitoral não ficam de fora das pesquisas de intenção de voto.
Segundo Audrey Dias, cientista política e coordenadora de Pesquisa do DATATEMPO, esse grupo faz parte do universo pesquisado e é considerado de acordo com sua representatividade no eleitorado.
“Os eleitores analfabetos não são excluídos e são representados na categoria de escolaridade correspondente, de acordo com a proporção existente no eleitorado”, explicou.







