Uma jaguatirica vítima de atropelamento e uma tamanduá-bandeira encontrada em uma área rural passaram por atendimento e reabilitação no Centro Veterinário da PUC Minas Poços de Caldas neste mês. Os dois animais foram encaminhados pelo Corpo de Bombeiros e receberam cuidados da equipe do Centro de Estudo e Medicina de Animais Silvestres (Cemas).
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O trabalho teve como objetivo recuperar os animais para possibilitar o retorno deles à natureza. Enquanto a jaguatirica continua em tratamento, a tamanduá-bandeira já recebeu alta e foi devolvida ao ambiente natural.
Jaguatirica foi atropelada em Machado
A jaguatirica macho, da espécie Leopardus pardalis, foi resgatada após ser atropelada em Machado (MG). O animal foi levado ao Centro Veterinário pelo Corpo de Bombeiros, a pedido da Prefeitura do município.
Na chegada, apresentava trauma cranioencefálico grave, hipotermia e desequilíbrio. Durante o atendimento, realizado sob sedação, foram identificadas fraturas nos ossos nasal e frontal, além de uma lesão no olho direito e quadro de anemia.
Após a avaliação, a equipe iniciou o tratamento e manteve o animal sob acompanhamento constante. Segundo a coordenadora do Cemas, professora Erika Fruhvald, a previsão é que a jaguatirica seja devolvida à região onde foi encontrada assim que estiver recuperada da anemia.
Além do atendimento veterinário, casos como esse também fazem parte da formação prática dos estudantes de Medicina Veterinária que participam das atividades do centro.
Tamanduá-bandeira é devolvida à natureza
O segundo animal atendido foi uma fêmea de tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), encontrada dentro de um galpão de café na zona rural de Poços de Caldas.
Durante a avaliação veterinária, foram identificadas lesões de pele nos membros anteriores, próximas às unhas, que dificultavam o apoio do animal. O tratamento começou com o uso de antibióticos e realização de curativos.
Após a recuperação, a tamanduá recebeu alta no dia 24 de setembro e foi devolvida à natureza em uma área próxima ao local onde havia sido encontrada.
A espécie está classificada como ameaçada de extinção, o que, segundo a coordenadora do Cemas, reforça a importância da recuperação e devolução do animal ao ambiente natural.
Cemas já atendeu 91 animais silvestres em 2026
O Centro de Estudo e Medicina de Animais Silvestres (Cemas) integra o curso de Medicina Veterinária da PUC Minas Poços de Caldas e realiza atendimentos no Centro Veterinário do campus.
Ao longo de 2026, o espaço já recebeu 91 animais silvestres, entre aves, mamíferos e répteis. Os estudantes participam de atividades como alimentação, manejo, limpeza e administração de medicamentos durante o período de tratamento.
O centro atende animais encaminhados de aproximadamente 20 municípios da região e se tornou referência para instituições ambientais que atuam em ocorrências envolvendo animais silvestres, principalmente em estradas e áreas rurais.
Entre os casos mais frequentes estão animais vítimas de atropelamentos e situações de interação considerada prejudicial com seres humanos ou animais domésticos.
A prioridade do atendimento é possibilitar que os animais sejam devolvidos às regiões onde foram encontrados. Quando a recuperação completa não é possível ou o animal não apresenta condições de sobrevivência na natureza, ele pode ser encaminhado para instituições credenciadas.
Nos casos de espécies ameaçadas de extinção, os animais também podem ser destinados a programas específicos de preservação.








