Um homem morreu após ser baleado por um policial militar durante uma abordagem em Campos Gerais, no Sul de Minas, na quinta-feira (20). Segundo o registro policial, o militar efetuou um disparo após alegar que o homem teria apontado uma arma em sua direção.
De acordo com o relato do sargento responsável pela ocorrência, ele e outro policial realizavam uma abordagem quando o homem teria sido visto em estado de nervosismo e com um objeto na região da cintura, que aparentava ser uma arma de fogo.
Os militares desembarcaram da viatura e determinaram que o homem colocasse as mãos sobre a cabeça. Conforme o registro, ele não teria obedecido às ordens e permaneceu sentado no chão, com as mãos próximas ao corpo.
Ainda segundo o depoimento do sargento, durante a abordagem, o homem teria retirado o objeto da cintura e apontado em sua direção. O policial afirmou que, diante da situação, efetuou um disparo com uma pistola calibre .40.
Após o disparo, o homem caiu no chão. O sargento teria afastado o objeto com o pé, retirando-o do alcance do homem. O outro policial tentou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas, diante da demora, os próprios policiais colocaram a vítima na viatura e a levaram ao Pronto Atendimento Médico de Campos Gerais.
No hospital, a equipe médica realizou manobras de reanimação, mas não conseguiu reverter o quadro. O óbito foi constatado pelo médico plantonista.
Testemunhas
Duas testemunhas foram ouvidas pelos policiais. Uma delas afirmou que estava dentro de um Ford EcoSport que havia apresentado problemas mecânicos e que, ao ouvir a ordem para colocar as mãos sobre a cabeça, entendeu que ela também era direcionada a ele.
Por estar de costas para a vítima, a testemunha disse não ter presenciado a abordagem. Segundo ele, no momento do disparo, estava sendo abordado pelo outro policial.
Outra testemunha afirmou que chegou ao local no momento em que a viatura se aproximava. Ele também teria obedecido à ordem para colocar as mãos sobre a cabeça e disse que não viu a abordagem porque estava olhando o celular.
A testemunha relatou ainda que a vítima aparentava estar bastante agitada e falava coisas desconexas. Segundo o depoimento, ele teria ouvido por duas vezes um policial determinar que o homem retirasse a mão da cintura e, posteriormente, escutado um estampido semelhante a um disparo de arma de fogo.
As duas testemunhas disseram não conhecer a vítima e afirmaram que aquela teria sido a primeira vez que a encontraram.
Objeto encontrado no local
Após a ocorrência, outra equipe da Polícia Militar foi até o local e encontrou um objeto com características semelhantes às de uma arma de fogo. Segundo o registro, após uma aproximação maior, foi constatado que se tratava de um simulacro de pistola de cor preta.
O objeto estava caído sobre o asfalto e foi colocado próximo à guia da calçada devido ao movimento de veículos na via. O local foi isolado e a perícia técnica foi acionada.
O simulacro e a cápsula da munição calibre .40 foram recolhidos pela perícia após os trabalhos realizados no local.
Policial foi preso
Após a ocorrência, o sargento responsável pelo disparo recebeu voz de prisão e foi informado sobre seus direitos constitucionais. Ele foi encaminhado ao quartel da Polícia Militar para as providências relacionadas à Polícia Judiciária Militar.
A pistola calibre .40 utilizada pelo policial também foi apreendida, juntamente com um carregador que continha 14 munições intactas.
O comandante da 292ª Companhia da Polícia Militar esteve no local e foi informado sobre a ocorrência.
Investigação
O corpo da vítima foi encaminhado para o serviço de necropsia. Familiares foram comunicados sobre a morte.
De acordo com uma tia da vítima, que relatou tê-la criado como filho, o homem teria histórico de envolvimento com drogas e estaria há alguns dias pelas ruas do bairro Jardim Botânico. A informação consta no registro da ocorrência.
O caso deverá ser apurado pelas autoridades competentes, incluindo a dinâmica da abordagem e as circunstâncias que levaram ao disparo. A perícia recolheu o simulacro, a cápsula e demais elementos considerados relevantes para a investigação.
Segundo o policial responsável pela abordagem, a presença de um Ford EcoSport prata no local também teria chamado a atenção da equipe, por se tratar de um veículo que, conforme o relato policial, seria alvo de denúncias relacionadas à prática de ilícitos em Campos Gerais. Posteriormente, foi confirmado que o veículo pertencia a uma das testemunhas.






