Abuso sexual online atinge 1 em cada 5 adolescentes

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Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que um em cada cinco adolescentes brasileiros já sofreu algum tipo de abuso sexual online. O índice é semelhante à média global e evidencia os riscos enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente digital.

O dado faz parte do relatório global “Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil”, divulgado nesta quinta-feira (3). O estudo reúne informações de 21 países e aponta que mais de 15 milhões de jovens já foram expostos a conteúdos de natureza sexual sem terem solicitado ou consentido.

Além disso, cerca de 9 milhões de crianças e adolescentes teriam sido alvo de solicitações para participar de conversas de teor sexual ou compartilhar imagens íntimas contra a própria vontade.

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Milhões de crianças tiveram imagens íntimas divulgadas

O levantamento global também estima que aproximadamente 4 milhões de crianças e adolescentes já tiveram imagens íntimas divulgadas sem consentimento.

A Unicef alerta ainda para os novos riscos associados ao avanço da inteligência artificial. Entre eles está a utilização de ferramentas capazes de criar ou alterar imagens de pessoas, incluindo conteúdos falsos de natureza íntima, conhecidos como deepfakes.

Segundo a organização, os números podem ser ainda maiores, já que nem todos os casos são denunciados ou identificados. Medo, vergonha, falta de informação e outras circunstâncias podem contribuir para que situações de abuso permaneçam fora das estatísticas.

O que mostra o recorte brasileiro

Além do levantamento global, a Unicef divulgou no primeiro semestre de 2026 um relatório específico sobre o Brasil. Esse estudo permite observar como os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes analisados no país estão relacionados ao ambiente digital.

Segundo os dados apresentados pela organização, 66% dos casos analisados no Brasil ocorreram por meios digitais. Dentro desse recorte, redes sociais e aplicativos de mensagens concentraram 64% dos casos.

Entre as plataformas mencionadas pelas vítimas estão Instagram e WhatsApp, que aparecem entre os principais ambientes digitais relacionados aos episódios analisados.

Os jogos online também foram citados no levantamento brasileiro. Eles representaram 12% dos casos relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Outro dado apontado pela pesquisa diz respeito à relação entre vítima e suspeito. Em 49% dos casos analisados, a pessoa apontada como responsável pela tentativa de abuso era conhecida da vítima.

Dados globais e brasileiros têm recortes diferentes

Os números apresentados pela Unicef precisam ser analisados considerando os diferentes recortes das pesquisas.

O dado de que um em cada cinco adolescentes brasileiros já sofreu abuso sexual online pertence ao levantamento global realizado em 21 países e serve para dimensionar a exposição de adolescentes ao abuso sexual no ambiente digital e comparar os resultados entre diferentes localidades.

Já os índices de 66% dos casos envolvendo meios digitais, 64% relacionados a redes sociais e aplicativos de mensagens, 12% envolvendo jogos online e 49% com suspeitos conhecidos das vítimas correspondem ao recorte dos casos analisados especificamente no Brasil.

Dessa forma, os percentuais do estudo brasileiro não representam necessariamente a proporção de todos os adolescentes brasileiros que passaram por abuso sexual, mas descrevem as características dos casos considerados no levantamento realizado no país.

Unicef alerta para riscos no ambiente digital

Os resultados reforçam a preocupação com a segurança de crianças e adolescentes na internet, especialmente diante do amplo uso de redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online.

A organização destaca a importância de medidas de prevenção, orientação e proteção para reduzir os riscos de exploração e abuso sexual infantil no ambiente digital.

A possibilidade de criação e compartilhamento de conteúdos falsos por meio de inteligência artificial também amplia os desafios para famílias, escolas, plataformas digitais e autoridades responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes.

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