A Polícia Civil iniciou uma investigação sobre um médico de Alfenas que disparou contra um homem no bairro Jardim São Carlos. O incidente gerou repúdio de órgãos públicos, que apontam o caso como um possível ato de racismo.
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O médico foi preso em flagrante após disparar contra uma pessoa na Avenida Benjamin Constant. A vítima, que caminhava pela rua, foi atingida por fragmentos de tiro no rosto e na cabeça. O ocorrido aconteceu na última segunda-feira (31).
De acordo com a Polícia Militar, o médico afirmou que ouviu seu cachorro latir e, ao verificar, avistou alguém tentando invadir sua residência. Ao abrir o portão, ele efetuou o disparo, acreditando se tratar de um invasor.
Porém, a versão da vítima é diferente. Ele declarou que estava apenas aguardando sua enteada na rua e que nunca havia visto o médico antes. O homem foi socorrido e levado ao hospital, onde recebeu cuidados médicos.
A espingarda calibre 28 usada no crime foi apreendida, e o médico, que não possuía registro da arma, foi preso em flagrante e levado para a delegacia. À noite, ele foi transferido para o Presídio de Alfenas, mas obteve um alvará de soltura da Justiça na terça-feira (1º).
Posicionamento contra o racismo
A Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial e o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Alfenas divulgaram uma nota em que expressam repúdio ao incidente, destacando que o caso envolve um jovem negro sendo alvejado por disparos. O órgão ressaltou que o racismo estrutural não deve ser tolerado na sociedade e destacou a importância de ações imediatas para responsabilizar o autor e prevenir futuros episódios semelhantes.
A defesa do médico
A defesa do médico afirmou que o disparo não foi motivado por racismo, mas sim por uma distorção da realidade devido à sensação de insegurança do médico, que alegaria ter sofrido ameaças e tentativas de invasão em sua casa recentemente.
De acordo com a defesa, no dia do incidente, o médico ouviu um barulho e pegou uma arma que estava na residência, um artefato antigo de seu pai. Ele abriu o portão e disparou, sem saber quem estava do outro lado da rua.
A defesa ainda enfatizou que a vítima é um homem honesto e trabalhador e que, por isso, buscarão um acordo e até mesmo uma compensação financeira. Finalizaram dizendo que o médico reconhece a luta legítima contra a discriminação racial e que se sente envergonhado pelo ocorrido, reforçando que sua intenção nunca seria tirar a vida de alguém, pois sua profissão é dedicada a salvar vidas.
Fonte: G1